Translinguagem, descortesia e representação identitária em Élite (2018)
uma análise multimodal da dublagem
DOI:
https://doi.org/10.66436/hepp9a73Resumo
Este artigo objetiva investigar o papel da translinguagem na construção da descortesia e na representação identitária em produtos audiovisuais, com foco na série Élite (2018). A partir de uma abordagem multimodal, fundamentada em Mondada (2018, 2022), e no modelo de descortesia de Culpeper (1996, 2017), examina-se uma cena do primeiro episódio em que há alternância entre inglês e espanhol, na qual o sarcasmo emerge como um recurso central na interação. Os resultados indicam que a translinguagem, embora não constitua uma estratégia de descortesia em si, atua como um recurso discursivo que intensifica ataques à imagem social e contribui para a construção de identidades sociais marcadas por distinções de classe e capital linguístico, no contexto analisado. Além disso, a análise evidencia que a dimensão multimodal, incluindo gestos, expressões faciais e enquadramentos, desempenha um papel central na construção de sentido e na produção da descortesia. No âmbito da tradução audiovisual, observa-se que as escolhas tradutórias reconfiguram tais efeitos, especialmente na dublagem em inglês, na qual a substituição do espanhol pelo francês atenua marcadores identitários e produz um efeito de domesticação da personagem.
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