n. 17 (2020): Diálogos literários entre o Brasil e a América Hispânica

ISSN: 2238-3026

Apesar das proximidades geográficas, históricas e culturais, os encontros, interconexões ou diálogos da literatura e a crítica brasileiras com a literatura e a crítica hispano-americanas não são muito frequentes, advertindo que o desconhecimento das línguas e a falta de bibliografia traduzida não são as causas mais determinantes. Além da tendência recorrente de ajustar nossas literaturas aos modelos propostos pelas literaturas europeias, são exceções a esse desencontro, por exemplo, a opção pelo cosmopolitismo entre os movimentos das vanguardas; o fenômeno literário-mercantil do “boom latino-americano”; as diversas manifestações de uma literatura engajada com nossa complexa realidade política, incluindo nelas as obras realizadas por diversos autores nos períodos de exílio das ditaduras militares. No campo específico da crítica literária, protagonistas destacados desse diálogo  foram Antônio Cândido e Ángel Rama, que a partir de seu encontro em Montevidéu há exatamente 60 anos, apostaram por uma teoria da literatura latino-americana que se materializa em vários de seus escritos, assim como na publicação da “Biblioteca Ayacucho”, coordenada pelo crítico uruguaio a partir de 1974. Mais recentemente se destaca a antologia de textos críticos reunidos na trilogia intitulada “América latina, Palavra, literatura e cultura” publicada a partir de 1993 pela UNICAMP. Nos começos de século XX as visitas de Rubén Darío ao Brasil ou as preocupações de diversos críticos de ambos universos com a cada vez mais notável intervenção norte-americana podem ser registrados como antecedentes do encontro proposto, e nos últimos anos os cada vez mais frequentes eventos acadêmicos e encontros literários que favorecem a discussão e o intercâmbio. 

Publicado: 22-09-2020

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